Na útlima quinta (28), o YouTube revelou a desabilitação do campo de comentários em vídeos que mostram menores de idade. O comunicado da empresa mostrou que a área de comentários de dezenas de milhões de vídeos já foi desativada. O objetivo dessa ação do Google é para tentar impedir conteúdos agressivos e até de pedofilia neste tipo de conteúdo

Os vídeos que passaram por essa ativação foram identificados como chamarizes para comportamentos predatórios. Ainda que essa desativação esteja ocorrendo, poucos criadores ainda vão continuar com a área habilitada. No entanto, os comentários publicados devem passar por uma moderação manual pelo dono

O YouTube também chegou a criar uma nova classificação para esse tipo de conteúdo. E essa nova classificação consegue encontrar os comentários agressivos com mais facilidade. E eles são removidos automaticamente. A empresa já garantiu que essa remoção não afeta a monetização dos canais. 

Isso só fortaleceu uma ação que a plataforma vem fazendo desde a semana passada, quando milhares de vídeos perderam os direitos a comentários depois de serem denunciados por haver usuários compartilhando links para pornografia infantil. Nessa ação, o YouTube removeu mais de 400 perfis que comentavam conteúdos inadequados.  

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Matt Watson 

As denúncias começaram principalmente a partir do youtuber Matt Watson. Na plataforma, ele pesquisou pelo conteúdo bikini haul (teste de biquíni - que funcionam como reviews. Depois de pesquisar, foi na aba dos recomendados e em poucos cliques, foi levado para vídeos com garotas mais jovens. 

O youtuber explicou que esses vídeos não tinham cunho pornográfico, mas os comentários traziam marcações de tempo quando as meninas ficavam em posições comprometodoras. Ou até pior, chegavam a trocar links de pornografia infantil. E muitos desses vídeos eram monetizados. Depois do barulho, muitas empresas perceberam o que acontecia e a partir de então, o YouTube passou a tomar atitudes. 

Empresas como a Disney, Nestlé e a Epic Games eliminaram seus anúncios da plataforma após a polêmica. Dois dias depois, o YouTube removeu milhares de comentários inadequados dos vídeos que contavam com crianças. A empresa disse que os vídeos que sofreram a remoção de conteúdo receberam um total de US$8 mil, que será reembolsado às empresas anunciantes. 

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O problema do YouTube Kids

Dentro de diversos casos que já mostramos aqui no blog, o YouTube Kids ainda demonstra muitos problemas. E conseguiu piorar no começo desta semana. 

Isso porque a mãe e pediatra Free Hess, divulgou que notou um vídeo com instruções de como realizar suicídio dentro de um conteúdo infantil que seu filho assistia. Hess percebeu, durante o conteúdo, a gravação de um homem, com duração de dez segundos, que indicava a forma "correta" de cortar o pulso. 

"Este vídeo foi intencionalmente implantado no YouTube Kids para prejudicar nossos filhos. Ele esperou até um ponto do vídeo em que os pais deixassem os filhos sozinhos [para incluir a instrução], pensando que eles [as crianças] estavam apenas assistindo a um desenho animado inofensivo", escreveu Hess em seu blog. 

Segundo Andrea Faville, porta-voz da plataforma, a empresa conta a tecnologia de detecção de usuários e de sinalização desse tipo de conteúdo para os revisores. "Estamos sempre trabalhando para melhorar nossos sistemas e retirar conteúdo violento mais rapidamente", completa.

FONTES

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Guilherme Pin

Jornalista, aspirante a crítico e roteirista de filmes, youtuber nas horas vagas e o Chandler M. Bing da roda de amigos.