Usar a internet requer certos cuidados. Usuários possuem consciência sobre toda a questão da privacidade online. Porém, para mantê-la, não basta aplicativos ou antivírus. Saiba que evitar fazer certas pesquisas no Google pode também ser uma boa opção para manter sua privacidade. Isso porque a empresa possui seus termos, que determina que palavras-chave e resultados de buscas podem ser informados aos sites visitados

Isso, então, exige um cuidado redobrado na hora de fazer pesquisas com informações muito pessoais. Afinal, é possível que seus dados possam parar nas mãos de terceiros. 

De acordo com o buscador DuckDuckGo - software que possui a particularidade de utilizar informações de origem Crowdsourcing - esse problema pode ser ainda mais sério. Segundo um estudo divulgado pela empresa no ano passado, o Google tende a rastrear uma pessoa mesmo quando ela não está logada ou quando navega no modo anônimo. 

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Nesse caso, conheça agora buscas que devem ser evitadas, para, assim, conseguir proteger mais sua privacidade. 

Remédios e doenças 

Por mais que a internet seja uma solução para evitar grandes filas de hospital, é bom evitar realizar buscas sobre doenças graves ou drogas fortes. Mesmo que a pesquisa seja só por curiosidade ou relacionada a outra pessoa, as informações podem ser usadas por redes de anúncios para traçar o seu perfil e, assim, ditar as propagandas exibidas.  

Caso alguém deseja ocultar uma determinada condição de saúde pode ter a informação revelada através de um simples banner, por exemplo. 

Há também a questão de não ser possível prever o destino que os dados pessoais tomam uma vez que tenham sido acessados por sites ou parceiros comerciais do buscador. Segundo um levantamento feito em 2015 pela Fast Company, sites de informações médicas poderiam vazar até 90% dos dados sigilosos para terceiros. Não necessariamente anunciantes. 

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Inseguranças e conflitos pessoais 

A mesma estratégia vale quando for procurar soluções para problemas pessoais. Revelar conflitos mentais, dúvidas existenciais ou até insegurança a um site, pode resultar em anúncios de soluções milagrosas de origem suspeita - como dietas - e cursos de autoajuda. 

Por mais que ver banners de publicidade possa ser uma contrapartida justa ao serviço do Google, é imporatante saber que informações pessoais podem ser usadas para alimentar um perfil mais detalhado nas redes de anunciantes. 

Suspeitas de crime 

Realizar pesquisas sobre armas, drogas ou assuntos relacionados a crime não só atrela o seu perfil a algo ilegal, como também pode resultar em problemas práticos. 

Em 2013, por exemplo, um funcionário americano foi denunciado pelo empregador após ter buscado palavras-chave que foram interpretadas como comportamento terrorista. Aqui no Brasil, o clima antiterrorismo não é o mesmo, porém, é importante manter cuidado extra ao navegar.

Localização 

A partir do IP e do sinal de GPS, é muito fácil o Google estimar a localização do usuário. Porém, a empresa precisa de dados extras para descobrir exatamente o apartamento ou a casa onde mora. Sem perceber, qualquer usuário pode dar essa informação facilmente ao pesquisar sobre objetos, materiais e o ambiente geral dos arredores. 

Rastreadores podem cruzar dados de busca para saber a sua localização, como também com quem você convive. E tudo isso mesmo com o histórico de localização desativado ou até mesmo sem informar o endereço no Google Maps

Identidade 

Por mais que o Google não forneça dados cadastrais a terceiros, a privacidade pode não estar protegida caso as informações pessoais forem buscada no site. A todo custo, redes de anúncios tentam ligar o perfil digital do usuário a uma identidade real. Essa ação fica ainda mais fácil se o próprio usuário entrega o RG, CPF ou passaporte

Portanto, procure evitar usar dígitos pessoais nas buscas. 

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Então, como se proteger?

Uma maneira de limitar a ação dessas redes de anúncios de caçadores de dados é restringir seu tipo de busca. Nesse caso, quanto menos informações pessoais estiverem disponíveis, mas dificuldade esses rastreadores vão ter para identificar o usuário. Não só isso. É também uma maneira de prevenir que informações sigilosas caiam em bases de dados comercializadas por sites mal-intencionados. 

O já citado DuckDuckGo, por exemplo, pode ser uma opção de pesquisa, já que o buscador utiliza recursos para manter a privacidade do usuário. Ou também pode utilizar navegadores que combatem rastreadores, como é o caso do Firefox Focus

É possível também utilizar extensões de navegador. O Ghostery é um exemplo de extensão que pode ter essa mesma função. Porém, tambem há a possibilidade de utilizar VPN como máquina virtual, ou até mesmo o navegador ToR

FONTE

Guilherme Pin

Jornalista, aspirante a crítico e roteirista de filmes, youtuber nas horas vagas e o Chandler M. Bing da roda de amigos.