É incontestável a importância da Apple para o desenvolvimento da tecnologia. Depois do iPhone, a empresa só evoluiu, com seus equipamentos de primeira, seja em celulares ou em computadores. E uma de suas tecnologias sempre oferece boas discussões sobre seu uso e sua importância. Claro que estamos falando do Apple Watch

O equipamento da empresa é conectável com o celular, portanto, é possível utiliza-lo da mesma maneira sem precisar estar com o iPhone por perto. Por mais que esse já seja um bom motivo para adquiri-lo, o relógio também pode ser responsável pela sua saúde. Ou quase isso. 

Isso porque o Apple Watch consegue rastrear a frequência cardíaca do usuário. A enfermeira Beth Stamps, na Carolina do Norte, dirigiu-se até o hospital depois do aparelho alertar que seu coração batia 177 vezes por minuto, o dobro de uma frequência cardíaca normal. Um de seus aplicativos recomendou que Beth entrasse em contato com um médico. 

A enfermeira, então, descobriu estar com taquicardia supraventricular, que se trata de um ritmo cardíaco anormal. "Desde então, verifiquei minha frequência cardíaca no relógio todos os dias", revela. 

Essa atitude de Beth pode passar a ser uma experiência comum à medida que mais pessoas consigam acompanhar as mudanças em seus corpos caso não consigam a ajuda profissional de um médico. O Apple Watch 4, lançado ano passado, inclui um recurso de ECG (eletrocardiograma) que monitora seu ritmo cardíaco. Isso tornou-o um dos poucos dispositivos inteligentes a oferecem esse monitoramento. 

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Por causa disso, é possível que dispositivos médicos sem fio ou aplicativos móveis ganhem um crescimento significativo no mercado. Empresas de saúde já estão em busca de preparar seus aparelhos com dispositivos capazes de ir além da marcação do ritmo cardíaco

Não só de Apple Watch vive a saúde 

A empresa israelense Health.io recentemente recebeu a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) para testar um dispositivo que descobre risco de doenças renais através do smartphone. O funcionamento é através de fitas descartáveis e a câmera do celular seria responsável por ler e interpretar os resultados. 

Outro dispositivo falado é o Butterfly iQ. Este está sendo anunciado como o primeiro sistema portátil de ultra-som para todo o corpo. O produto ganhou avaliação do FDA e já poderá ser comercializado em breve, funcionando como uma forma de monitorar pessoas com condições crônicas. Há também a possibilidade para o uso sem supervisão médica, que ainda busca aprovação.  

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Tecnologia da saúde para poucos 

Apesar de toda evolução de uma tecnologia mais próxima dos usuários e com possibilidade de salvar vidas, a maioria está chegando com preços bem salgados. O Apple Watch 4, por exemplo, está sendo vendido nos Estados Unidos por US$400, mais o preço de um plano de iPhone e o celular. Já aqui no Brasil, é difícil encontrar por menos de R$2.000. O Butterfly iQ, por sua vez, deve chegar nos Estados Unidos por pouco menos de US$2.000.

Sobre isso, alguns observadores alertam que o aumento das tecnologias médicas domésticas poderia ampliar a desigualdade ainda mais. "Nem todo mundo terá acesso á tecnologia, e se for o caso, talvez os preços caiam. Mas não há razão para pensar que eles vão", diz Arthur L. Caplar, PhD e diretor fundador da Divisão de Ética Médica da Faculdade de Medicina da NYU

Conforme mais consumidores adotarem dispositivos de monitoramente médico doméstico, consequentemente gerarão mais dados de saúde. Assim como a onipresença dos smartphones gerou dados sobre o que estamos fazendo e para onde estamos indo. O que pode provocar leitura de dados particulares também da área médica. 

Mesmo que as pessoas compartilhem dados dos dispositivos de monitoramento de saúde apenas com o médico, elas podem estar dando mais informações do que imaginam. Na pior das hipóteses, os médicos podem decidir abandonar os pacientes que não seguem suas instruções

Isso só demonstra como ainda é o primeiro passo para nossa tecnologia se tornar cada vez mais próxima dos usuários e conseguir servir muito além do transporte e da informação. Afinal, saber que seu smartphone pode salvar a sua vida é muito gratificante e seguro. 

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FONTE

Guilherme Pin

Jornalista, aspirante a crítico e roteirista de filmes, youtuber nas horas vagas e o Chandler M. Bing da roda de amigos.