Para quem usa constantemente o Facebook já viu - ou já fez - o desafio #10yearchallenge. Nele, os usuários postam uma foto de 2009 e outra de 2019, para ver o quanto elas mudaram. Porém, o que deveria ser só um meme ou sensação viral das redes sociais, virou centro de polêmica. Principalmente depois de um artigo publicado no site da revista Wired, na última terça (15), por Katie O'Neill, autora e especialista em tecnologia. Segundo a autora, a inocente brincadeira pode ser mais um artifício de empresas de tecnologia para alimentar algoritmos de reconhecimento facial. Apesar da publicação do artigo, Katie não apresentou provas da participação de alguma empresa por trás do movimento. Contudo, ela levantou um ponto que resultou na polêmica. Pelo fato do desafio consistir na publicação de fotos antigas e atualizadas, qualquer um tem acesso a uma seleção separada de fotos dos usuários. Mostrando como eles eram há dez anos, e como estão agora. Esse conjunto de dados que o #10yearchallenge fornece, é muito valioso para quem esteja desenvolvendo um algoritmo de reconhecimento facial. Até porque ele poupa o trabalho de juntar e "limpar" as informações usadas para alimentar o software. Nesse caso, as fotos seriam usadas para ensinar o software a identificar padrões de envelhecimento. E isso pode ser usado tanto para boas coisas, quanto para más. Na Índia, por exemplo, usaram um sistema de reconhecimento em 2018 que ajudou na identificação e resgate de três mil crianças. Leia também: Entenda porque executivos de redes sociais não as utilizam Além de não violar 100% a invasão de privacidade. Até porque, quem posta, por vontade própria, é o usuário.

Fiz o #10yearchallenge. Devo excluir a publicação?

Apesar de Katie ter levantado várias hipóteses, a mesma falou que, para essa pergunta, a resposta é "não exatamente". Segundo sua publicação no Twitter, ela não quer que as pessoas entrem em pânico ou sintam-se mal. "Só vale a pena entender melhor como seus dados podem ser usados. Não precisamos ter medo de tudo, só pensar de forma mais crítica e aprender mais sobre o potencial que nossas informações têm quando usadas em larga escala", completa. Leia também: Entenda a importância de não dar informações pessoais e proteger dados Há o fato também de que apagar as fotos agora não ajudaria a reverter o trabalho que as companhias de reconhecimento facial já fazem. O Facebook já tem a capacidade de identificar os rostos dos usuários em diferentes ângulos e situações graças ao volume de fotos. Até pela presença do Instagram no meio. Em seu blog, Tecfront, o diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio), Carlos Affonso, publicou que se a neura é com o que o Facebook pode fazer com as fotos, não precisa se preocupar. Mesmo que o Facebook use esses dados com esse objetivo, o Google já tinha mais de 3.270 terabytes de imagens de usuários em seus bancos de dados há quatro anos. Isso graças ao Google Fotos. E pelo fato da plataforma ser gratuita e ilimitada, é bem possível que esse número tenha crescido desde então. Sobre o #10yearchallenge, a rede social se posicionou dizendo que o meme é uma criação dos usuários. E que viralizou espontaneamente. E lembrou que os usuários podem escolher ativar o reconhecimento facial a qualquer momento. FONTE
Guilherme Pin

Jornalista, aspirante a crítico e roteirista de filmes, youtuber nas horas vagas e o Chandler M. Bing da roda de amigos.