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YouTube x TV: quem vai ganhar essa disputa?

Pode parecer precipitado, mas o YouTube cada vez mais “rouba” o público da TV. A mídia tradicional vai acabar por completo? Provavelmente não, mas ela terá que se adaptar ao conteúdo digital. Afinal, este fenômeno já está acontecendo em ritmo acelerado.

Antes a televisão, principalmente a Globo que detém a hegemonia no Brasil, tratava o YouTube como concorrentes.

Rafinha Bastos contou que, em uma propaganda que fez para televisão da Nokia, ele falava que “era a pessoa mais influente do Twitter”. Exclusivamente para a Globo, teve que refazê-la trocando “Twitter” por “uma rede social”. No mesmo vídeo, PC Siqueira e Cauê Moura relembram quando a mesma emissora sempre trocava “YouTube” por “rede social de vídeos”.

https://www.youtube.com/watch?v=Jzln5jxwjBc

Mas, a TV brasileira como um todo passou a respeitar mais a internet. E principalmente a plataforma de vídeos. E isso porque ela é concorrente direta por trabalhar exclusivamente com conteúdo audiovisual.

YouTube x TV

Segundo relatório do ano passado do próprio YouTube, 95% dos internautas brasileiros acessam a rede social, com uma média de 1 hora conectados por dia. Em número totais, é um valor de 98 milhões de pessoas.

A televisão ainda é a mídia principal do país. Porém, isso acontece sobretudo por dois fatores principais: acessibilidade e gerações pré-internet.

Menos de 3% dos domicílios do país não têm televisão, de acordo com a a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em fevereiro deste ano. Isso mostra que muito mais pessoas têm acesso à TV do que à internet.

Outro fator está relacionado às pessoas que nasceram antes da criação da internet. Esse público ainda tem a ideia de que a televisão é um meio de comunicação mais confiável.

A internet segue sendo dominada por um público com menos de 40 anos, sobretudo pelos nascidos depois da década de 1990. O mesmo relatório mostra que 96% dos jovens de 18 a 35 anos acessam o YouTube. E hoje, as pessoas já nascem dando mais atenção para as redes sociais do que para a mídia tradicional.

Os jovens, quase em sua totalidade, não assistem novela e programas tradicionais da Globo como Domingão do Faustão e Caldeirão do Huck. Não é possível afirmar, até porque não sabemos até quando o YouTube estará no auge ou se nascerá mídias novas na próxima década, mas provavelmente a plataforma substituirá a televisão quase que por completo.

Algo semelhante ao que a TV fez com o rádio. Quanto mais as gerações Y e Z (nascidos entre 1990 e 2010) forem se tornando a mais velhas, mais a mídia tradicional perderá força e o conteúdo da internet dominará.

Vantagens do YouTube

O que o YouTube tem e a televisão não? O conteúdo que quiser, na hora que quiser e quantas vezes quiser. Além disso, liberdade e autenticidade são vantagens da plataforma.

O relatório cita que “87% [das pessoas] concordam que é uma plataforma que permite o consumo de qualquer tipo de conteúdo, quando e onde quiser; 78% concordam que aqui é o lugar para encontrar os conteúdos mais autênticos”.

Essas qualidades se destacam sobre uma TV com programação fixa e conteúdo definido. Se você gosta de assistir um conteúdo analisando cinema ou ver gameplays por exemplo, onde você encontra isso na televisão? Simplesmente não encontra.

No YouTube, há o conteúdo que você quiser com quem desejar. Se você não gosta de um youtuber que fala sobre um assunto que te atrai, basta buscar outro canal. Essa flexibilidade e diversidade é o principal motivo pelo crescimento da plataforma e diminuição da mídia tradicional.

Marcas

Apesar de ainda ter a televisão como local principal, até as empresas perceberam que investir em campanha com influenciadores vale a pena. Isso porque o custo é muito menor do que o altíssimo cobrado pela TV. E muitas vezes o retorno é mais eficiente, já que o youtuber fala diretamente com pessoas que gostam e acreditam nele.

Na televisão, não necessariamente os famosos influenciam a vida das pessoas. O único problema desse movimento é que as marcas tem uma visão mais conservadora. Isso tira um pouco da tão sonhada liberdade total de expressão que os influencers tanto pregam.

Por isso, estes estão se modificando para fazer um conteúdo Family Friendly (conteúdo família), que o YouTube exige para monetizar vídeos e que agrada mais às marcas.

Reinvenção da TV

Se o Family Friendly tira um pouco a liberdade dos youtubers e se parece mais com a televisão, esta mídia busca se aproximar cada vez mais da internet.

Reconhecendo o interesse do público, eles romperam a barreira do online e cada vez menos tratam o youtubers como rivais. Isso fica evidenciado quando o Choque de Cultura aparece duas vezes na Globo em menos de três meses. Uma no Programa do Bial e outra no Zero1, do Tiago Leifert.

Além do grupo de humor que tem bombado na internet, Whindersson Nunes, maior youtuber brasileiro, já marcou presença no Altas Horas e Felipe Neto teve até um quadro no Fantástico. Além disso, as emissoras buscam uma linguagem menos formal e o uso de plataformas como o Twitter para “conversar” com internautas em programas ao vivo.

Mais um exemplo é criação de canais no YouTube, contas no Facebook e a forte preocupação com a homepage que as grandes corporações televisivas.

O que ainda mantém a televisão?

A força da televisão e o que a segura no topo é o jornalismo. Programas como o Jornal Nacional seguem sendo um exemplo de qualidade. E, por isso, é a informação que o público mais confia.

A onda de fake news disponíveis nas redes sociais vai manter o jornalismo televisivo como fonte principal por muito tempo. E mais do que isso, por mais que a TV “acabe”, as grandes emissoras conseguirão achar espaço tranquilamente na internet, pois o conteúdo informativo delas é muito bom e confiável se relacionado aos fóruns de notícia online.

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