YouTube e criadores: problemas de monetização


O YouTube transformou-se em uma das principais fontes de entretenimento e notícias, impulsionada por influenciadores digitais que tiram uma grana com isso. Porém é preciso ter atenção para manter a harmonia entre youtube e criadores.

A mudança do site em um grande negócio nem sempre foi suave. Com vídeo polêmicos ou anunciantes reclamando que suas publicidades aparecem antes de conteúdos ofensivos.

No meio da confusão estão os criadores do YouTube.  Crescente legião de vlogueiros e personalidades famosas que atraem ondas de jovens usuários e recebem uma fatia da receita publicitária da empresa.

Recentemente, youtubers perceberam que o dinheiro está diminuindo. Isso acontece à medida que o YouTube se torna mais rígido sobre as políticas de monetização dos vídeos.

A rigidez foi a resposta que a plataforma encontrou para agradar críticos e anunciantes. Mas ninguém imaginou que essa solução teria consequências trágicas como o tiroteio da última terça-feira na sede do YouTube em San Bruno, EUA.

A youtuber Nasim Aghdam, 37 anos, alegou ter seu canal fitness censurado pela plataforma. Ela feriu três empregados antes de cometer suicídio com uma pistola 9 milímetros.

“Estou sendo discriminada e censurada no YouTube”, disse Aghdam em um vídeo. Ela estava há oito anos no YouTube e tinha 30 mil seguidores. “Meus vídeos novos quase não recebem visualizações e meus vídeos antigos, que costumavam ter muitas exibições, pararam de ter”. Nasim Aghdam. A reação extremamente violenta de Aghdam revela o sentimento de frustração às novas políticas do YouTube, que às vezes parece ter abordagem aleatória.

As mudanças

No passado, canais com 10 mil visualizações eram qualificados para fazer parte do “Programa de Parcerias” do YouTube. Por isso, conseguiam monetização de anúncios que precediam os vídeos.

Mas este ano o YouTube anunciou que os canais precisariam de mil assinantes. Além disso, de um acúmulo de 4 mil horas de tempo de exibição nos últimos 12 meses para se qualificar.

O YouTube contratou funcionários para fazer revisões manuais de conteúdo. Por isso, conseguiram melhorar o controle de onde os anúncios são exibidos.

Essa mudança tornou mais difícil a monetização para dezenas de milhares de pequenos criadores de vídeos – aparentemente, Aghdam era um deles.

Muitos chamam isso de “desmonetização”. Entretanto, a situação se complica quando o processo de seleção de vídeos monetizados e desmonetizados nem sempre é claro.

Diversos criadores de conteúdos acusam a plataforma de preconceito e censura. Em dezembro, a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, disse que a empresa aumentaria o número de curadores (pessoas que fiscalizam vídeos considerados inadequados) em 2018 para 10 mil.

Porém, é necessário a contratação de mais funcionários visto que o YouTube recebe 400 horas de vídeos novos a cada minuto. Há controvérsias sobre ativar ou não a opção de exibição de anúncios (Google Adsense) dos vídeos.

Censura?

O YouTube divulgou novas regras que causam a remoção do programa ou da aba de “Vídeos Recomendados” caso o criador viole as diretrizes da comunidade.

Em casos mais extremos, a plataforma remove o próprio vídeo se considerá-lo controverso. Isso nos remete ao caso do youtuber americano Logan Paul ao mostrar uma vítima de suicídio no Japão. Logan Paul. Fonte: Polygon

Para o bem ou mal, as novas políticas do YouTube exercem mais pressão sobre os criadores de conteúdo. Ou seja, se você segue seriamente as regras, talvez facilite a visibilidade do seu conteúdo no site.

Segundo a Forbes, o YouTube recebe 45% da receita total dos influenciadores. Ainda não se sabe se as mudanças trazem benefícios aos anunciantes e protegem os espectadores, ou se foi um tiro no pé da própria plataforma que está cada vez mais comparável à TV aberta.

Fontes: 1 e 2