Por que redes sociais escondem números de seus balanços?


A realidade de muitas redes sociais mudou completamente. Ainda mais quando empresas, que antes se gabavam de seus números, atualmente nem falam deles. Isso dá a entender que há uma boa chance dos números estarem bem mais baixos, o que pode significar que algo deu errado. Ou muitas coisas deram. 

Nos últimos meses, empresas como Apple, Twitter e Facebook anunciaram que vão deixar de divulgar seus números. Números esses que eram muito importantes para analistas e investidores saberem do desenvolvimento delas. Essa escolha não só deixa os resultados menos transparentes, como também aparenta ser uma maneira de esconder algo desfavorável

A Apple, por exemplo, parou de divulgar os números de venda de iPhone um pouco antes de começarem a cair. Esses dados funcionavam como um importante indicador sobre a demanda pelos produtos da marca. Além, claro, da participação da empresa no mercado. 

No entanto, em 2018, esses números cresceram um pouco. E isso deixou os investidores ainda mais desconfiados. Afinal, o verdadeiro motivo para ocultar os dados pode ser porque a empresa sabe que os números vão cair novamente. Por isso, muitos analistas já estão prevendo uma queda significativa neste ano. E ainda mais quedas no futuro. 

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Twitter e seu possível cálculo secreto 

Apesar de ser uma empresa distante da Apple, a situação do Twitter não está muito diferente. A rede revelou que vai deixar de informar o número de usuários ativos mensalmente. Em vez disso, vai passar a divulgar o número de usuários ativos diários monetizáveis. Isso singifica que a empresa divulgará o número médio de usuários para o qual a empresa pode exibir anúncios diariamente. 

Não houve muitas explicações sobre a mudança. Mas, de acordo com Ned Segal, diretor financeiro, o número diário e o crescimento deles são “as melhores maneiras de medir o sucesso”. 

As semelhanças com a empresa de Steve Jobs não param aí. Isso porque o Twitter também tinha motivos significativos para esconder seus dados. 

Depois de declinar por três trimestres seguidos, o Twitter fechou 2018 com 321 milhões de usuários, segundo o último relatório do ano passado. Apesar de parecer um número grande, ele representa o menor desde o final de 2016. E a ausência desses números mensais é problemática. Um dos motivos é o fato do número ser relativamente pequeno – 126 milhões.

Esse dado é 48% menor que o número de usuários diários do Snapchat e 10% da base de usuários diários do Facebook, por exemplo. 

Um outro motivo está no fato do Twitter ter afirmado que o número não é necessariamente comparável aos números de uso mensal das outras empresas. E que não é determinado por “qualquer metodologia padronizada da indústria”. O que fez com que o cálculo se tornasse um mistério. 

Facebook ainda segue na amizade 

Apesar da empresa de Mark Zuckerberg divulgar alguns dados, há um planejamento para isso parar. Nos últimos trimestres, o Facebook vem divulgando o uso de seus serviços separadamente, incluindo Instagram, Messenger e WhatsApp no mesmo relatório. 

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Com isso, os números apresentam um valor muito maior. Afinal, os dados mostram o número de pessoas que interagem todo o dia com pelo menos um dos serviços, e não só do Facebook

E isso pode continuar futuramente. A empresa planeja liberar os dados combinados das três plataformas ao invés de divulgar os números exclusivos do Facebook. E adivinha o motivo: claro, queda acentuada. 

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No último trimestre do ano passado, o uso mensal da rede cresceu 9%. Já no mesmo período, em 2016, o crescimento era de 17% mensalmente e 18% diariamente. Ao oferecer números mais gerais, o Facebook passa a gerar dúvida sobre o seu desempenho. E isso, claramente, é um problema, até pelo fato da rede ser o serviço principal, e não o Instagram ou o WhatsApp. 

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