Mark Zuckerberg exige regulação mais severa na internet


O texto de Mark Zuckerberg

No último sábado (30), Mark Zuckerberg publicou um texto exigindo que governos e outras autoridades ampliem a regulação da internet. Para o CEO do Facebook, é preciso atualizar as normas nas seguintes áreas:

Conteúdos nocivos

Transparência em eleições

Privacidade

Portabilidade de dados

No texto, ele explica que, no momento que essas regras da internet são atualizadas, é possível preservar o há de melhor nela – como a liberdade de expressão e da construção de novidade – ao mesmo tempo que é possível proteger a sociedade de perigos maiores.

Curiosamente, o texto foi publicado meses depois de Zuckerberg se envolver em polêmicas sobre compartilhamento de dados dos usuários da rede social. Tanto que, em novembro, o próprio Facebook admitiu ter contratado uma empresa para investigar senadores que até o bilionário George Soros – que acusou a rede de ser “uma ameaça à sociedade”.

Agora, é hora de entender mais a proposta de Zuckerberg para cada uma das áreas que ele exigiu uma ampliação.

Conteúdos nocivos 

Propaganda terrotista e discurso de ódio entram na categoria de conteúdos nocivos do CEO. Ele informou que o Facebook já trabalha com governos para garantir a eficiência na revisão dos conteúdos. Zuckerberg também afirmou que organismos independentes podem traçar parâmetros de avaliação desse tipo de conteúdo.

No texto, ele fala que uma “regulação pode definir bases sobre o que é proibido e, portanto, exigir das empresas que construam sistemas para diminuir ao máximo o conteúdo nocivo”.

Ele completou dizendo que, ao passarmos a entender a prevalência desse conteúdo nocivo, torna-se possível ver quais empresas estão melhorando. Assim, será possível, também, traçar os parâmetros de base.

Transparência em eleições

O Facebook já se envolveu em polêmicas envolvendo as candidaturas de 2016 e, devido a isso, foi pedido que leis protejam as eleições. Segundo o texto, o pedido é, sobretudo, em relação à propaganda política impulsionada pelas redes. Porém, o CEO ponderou sobre a dificuldade em traçar parâmetros sobre essa meta.
De acordo com ele, não é simples definir se uma propaganda é ou não política. “Nossos sistemas seriam mais eficazes se houver regulação que crie padrões comuns para verificar os atores políticos”, completa.
Em 2018, diversos candidatos impulsionaram propagandas políticas na rede social. No início da campanha, três dos 13 presidenciáveis pagaram por anúncios, o que é algo permitido pela lei. Porém, outros candidatos – esses a deputado – impulsionaram conteúdos para atacar outros concorrentes.
“Acreditamos que a legislação deve ser atualizada para refletir a realidade das ameaças e definir padrões para toda a indústria”, concluiu.

Privacidade 

No texto, ele também sugeriu que mais países adotassem uma legislação semelhante do GPDR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), que foi aprovada pela União Europeia, no ano passado. Em alguns pontos, a lei determina que coleta e uso de dados pessoais só podem ser realizadas com consentimento do usuário. Inclusive, o próprio usuário passar a ter o direito de ver, corrigir e até deletar informações guardadas pelas empresas.

Por este motivo, ele afirmou que uma legislação mundial garantirá a mesma proteção para todos. Para ele, é preciso regras claras de quando a informação pode ser utilizada para servir o interesse público. Além de como se deve aplicar essas regras a novas tecnologias de inteligência artificial.

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Portabilidade de dados 

Para Zuckerberg, a rede também precisa facilitar as transferências de dados de um serviço ao outro, caso seja do interesse do usuário. No texto, ele explica que isso dá poder de escolha, o que permite que desenvolvedores possam inovar ainda mais. “Isso, no entanto, requer regras claras sobre quem é responsável por proteger a informação que circula entre os serviços”, alertou.

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