Internautas expõem Garota Bolada por conteúdo adulto para crianças


A youtuber do canal Garota Bolada está sendo exposta nas redes sociais por influenciadores e internautas. Isso aconteceu porque foram feitas denúncias de que ela está postando conteúdo adulto para crianças e adolescentes.

Mas como os vídeos sinalizados como +18 estão chegando para esse público? Neste post explicamos como isso aconteceu e o que motivou o exposed.

Exposed Garota Bolada

O exposed do canal Garota Bolada começou após outra influenciadora – Verônica Ralha – chamar atenção para o assunto nas redes sociais.

Ela criou destaques em seu perfil no Instagram para explicar o que havia acontecido e como descobriu que a youtuber do Garota Bolada estava direcionando conteúdo adulto para o público infanto-juvenil.

Com prints e vídeos, Verônica explica que tudo começou quando um vídeo de teor sexual chegou ao seu sobrinho, que é uma criança, pelas sugestões do YouTube. Ela notou que o conteúdo era inadequado para aquela idade e entrou em contato com Fernanda, a dona do canal Garota Bolada (que continha o vídeo).

Ela explicou que fez isso porque já havia feito collabs com Fernanda, que era assessorada pela mesma agência. No entanto, quando não teve sucesso, ela resolveu fazer uma denúncia nas redes sociais.

Depois disso, não demorou muito para que internautas reforçassem o alerta. Afinal, Verônica printou o que seriam as provas de que a youtuber sabia que o conteúdo estava chegando a um público infantil e adolescente. Veja a seguir.

Conteúdo x Público

O canal Garota Bolada existe há 4 anos. Criado pela Fernanda, ele hoje tem mais 800 mil inscritos e mais de 50 milhões de views.

Hoje ela posta conteúdo sobre sexo, com títulos apelativos. Entretanto, há cerca de dois anos não era esse o foco do Garota Bolada.

Fernanda costumava postar sobre cabelo, unhas e dicas para adolescentes. Inclusive quando ela começou a introduzir assuntos sobre corpo e sexualidade, foram sempre focados nesse público.

Reprodução: YouTube | Canal Garota Bolada

Foi justamente por isso que ela construiu seu canal com esse público mais novo.

No entanto, ao decidir mudar os assuntos do canal, ela acabou expondo esse público a um tema que não é adequado para a idade deles. Veja abaixo os títulos dos vídeos atuais:

Foto da capa – Reprodução: YouTube | Canal Garota Bolada

E foi isso que gerou indignação nos internautas e motivou denúncias do perfil.

Também foram expostos prints dos comentários nos vídeos, que agora estão desativados. E por lá era possível ver crianças comentando que assistiam ao conteúdo com fone de ouvido, para que os pais não percebessem.

De acordo com Verônica, Fernanda também apagou vídeos claramente destinados ao público mais novo – como ensinando a fazer slimes, por exemplo – após as denúncias ganharem alcance.

A youtuber do Garota Bolada ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Como afeta as marcas?

Mas como situações como essas podem afetar as marcas? Nesse caso, não se trata somente de ter cuidado ao fazer parcerias com influenciadores expostos. E isso porque, nesses casos, o cuidado precisa vir antes.

Por exemplo, uma marca que trabalha com produtos eróticos pode se interessar pelo canal. No entanto, conteúdo, número de views e seguidores não são os únicos pontos a serem analisados. Afinal, tudo isso é irrelevante se o canal não for destinado ao público adequado.

E é exatamente isso o que acontece com o Garota Bolada: um conteúdo inapropriado para o público que tem.

“É normal que creators reformulem seus conteúdos, afinal os anos passam e o público cresce, muda, passam por transformações e muitas vezes essas adaptações além de fazerem sentido, são muito importantes. Porém quando se trata de algo mais delicado como conteúdo sexual é preciso uma dose maior de responsabilidade, uma vez que milhares de fatores fazem parte, desde auto conhecimento corporal, até privacidade e DSTs”, explica a head of influencers da influu, Thalita Lopes.

Thalita continua dizendo que a educação sexual é importante, mas precisa ser feita por profissionais capacitados. “Ainda mais quando se é um influenciador digital ou formador de opinião, as pessoas vão levar tudo que você diz como verdade absoluta e seguir aquilo”, pontua.

Por isso, ela ressalta: “Por mais que seja importante quebrar o tabu relacionado aos assuntos sexuais, é preciso que a que pessoa que for fazer isso tenha muito conhecimento sobre o assunto e também sobre o público ao qual ele é direcionado. Afinal, há idades certas para a introdução de cada tópico”.

Já em relação às marcas, Thalita ressalta que estas devem ter ainda mais responsabilidade ao anunciar com esse tipo de influenciador e não apenas entregar seu produto ou serviço para um público que pode não estar preparado para recebê-lo. E isso porque essa prática pode ser até proibida pelo CONAR, orgão regulador do ramo.

Por isso, recomendamos que as marcas realmente busquem por profissionais especializados em trabalhar com influenciadores antes de escolher perfis para parcerias.

Foto da capa – Reprodução: YouTube | Canal Garota Bolada