Crianças devem ser expostas à tecnologia?


Atualmente, o desenvolvimento da tecnologia é impressionante e a taxa de evolução pretende ser cada vez maior. Dentro dessa nova era da tecnologia, crianças já nascem expostas a realidade que a geração passada conhece pouco. Não importa o lugar, é possível sempre ver uma criança concentrada em um smartphone. 

Mas, até que ponto isso é um benefício para as crianças? 

Diversos pais são contra seus filhos usarem tecnologia por muitas horas por dia. E têm dezenas de razões para isso. Seja a questão do vício ou mesmo a inibição da interação social.

Por sua vez, outros pais argumentam que a tecnologia oferece oportunidades únicas de aprendizado. Afinal, a mesma permite o acesso a informações do mundo todo na palma da mão. 

A escola de educação da Universidade de Stirling, na Inglaterra, fez um estudo sobre o assunto. Este revelou que a atitude dos pais em relação à tecnologia no lar influencia na associação da criança com a tecnologia

Em 2012, o psicólogo britânico Aric Sigman, pediu aos pais que limitassem o tempo de tela dos filhos. Sigman argumentou que as crianças estavam gastando mais tempo na tela do que nunca. E isso porque elas começam a usar tecnologia cada vez mais cedo. De acordo com ele, tempos de tela mais longos podem levar a um aumento das taxas de doenças cardíacas, derrame, diabetes e até depressão

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Segundo o estudo, crianças são só podem se tornar sedentárias como também tempo de tela mais longo pode afetar a dopamina do cérebro. A também britânica Universidade de Reading encontrou, em outra pesquisa, efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo de crianças menores de três anos de idade. 

Em 2017, a Academia Americana de Pediatria atualizou as diretrizes de tempo de tela. Agora crianças com menos de dois anos não devem usar smartphones ou tablets. Já as crianças com idade superior, devem ser limitadas a duas horas por dia

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Tecnologia e seus benefícios 

O uso constante de tecnologias pode trazer as desvantagens citadas. No entanto muitos especialistas acreditam que o tempo de tela para bebês e crianças trazem mais benefícios. Psicológos realizaram estudos que provam uma divisão realizada pelas crianças. No caso, a maioria consegue dividir o tempo de tela e as atividades não tecnológicas

Segundo os estudos, elas não mostram uma preferência pela tecnologia. Elas ainda gostam de brincar com brinquedos e outras crianças, além da família. 

Em 2011, Lori Takeuchi e Reed Stevens realizaram um estudo. Neste mostraram como a interação social não foi obstruída pela tecnologia. Muito pelo contrário. As crianças que assistiam seus programas favoritos, costumavam selecionar brinquedos semelhantes aos personagens. Além disso, se vestiam como seus personagens favoritos. E mais: até gostavam quando os membros da família brincavam com elas. 

Os avanços tecnológicos também tornaram mais fácil a comunicação das crianças com seus entes queridos. O desenvolvimento de aplicativos como Skype ou FaceTime ajudam nesse quesito. O fato de conseguirem ouvir e ver os entes queridos mais distantes cria vínculos mais fortes entre as duas partes. 

Tecnologia e aprendizado

Há também a questão de alguns aplicativos e jogos ajudarem no aprendizado. No passado, um criança com determinada quantidade de livros e brinquedos educativos tinham que esperar por um adulto para ensiná-los. Agora, com a tecnologia moderna, elas têm certa autonomia para consumir livros, vídeos e ferramentas de aprendizado. 

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Histórias interativas no YouTube e jogos online permitem que as crianças aprendam. E isso sem precisar da orientação de um pai e professor. Porém, pais devem se manter atentos quanto ao conteúdo consumido. 

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Em prol do desenvolvimento infantil 

Determinados programas e aplicativos conseguem ajudar no desenvolvimento de habilidades. Mas não só isso. Também permitem que as crianças consigam aprender em seu próprio ritmo. Muitas delas podem desenvolver mais confiança quando aprendem com tecnologia assistida. E isso ao invés de uma sala de aula, que exige uma compreensão coletiva. 

Sobre esse ponto, a introdução da tecnologia em sala de aula ajudou – e ajuda – alunos com necessidades especiais. Isso não só na compreensão do que é ensinado, mas também na comunidade e nas relações sociais com outros alunos. 

No fim, haverá argumentos extremos nos dois espectros sobre a relação das crianças com a tecnologia. O uso exagerado é tão prejudicial quanto impedir que crianças a usem. Afinal, tanto a tecnologia quanto as crianças são o futuro. Por isso levar às futuras gerações uma forte compreensão da tecnologia pode mudar o mundo para melhor. 

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